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O Voo Dos Peixes

Mas quando vem é sempre tão rápido,
e logo vai em seus passos cálidos.
Eu me reclino então perdido a contemplar
soltos no espaço os seus rastros.

Os astros não seriam tão mágicos,
mas o acaso sim seria tão sádico.
Eu me torturo então perdido em seu olhar,
sonhos que quase ofuscam os fatos.

Os atos não revelam o básico,
a vã obviedade dos limites tácitos.
Eu me desespero então perdido a procurar
um modo de escaparmos sãos e salvos.

Os alvos são pra mim todos erráticos,
mas por que então não busco algo válido?
Eu me questiono em vão perdido a consolar
com doces pecados tais gostos amargos.

Os argumentos são assim, sarcásticos,
convergindo com nossos humores ácidos.
Eu mordo a isca então, perdido a me arriscar,
um peixe camicase em seus últimos saltos.

Os altos voos são pra você um hábito,
mas quanto a mim, já estou no meu máximo.
E me seguro então, perdido, como dá,
disfarçando os platonismos desse caso.

E, se acaso vem, é sempre por um átimo,
mas vem de azul como seu olhar acrobático.
Cedo então à ilusão de voar sem me lembrar
que as minhas asas são do meio aquático.


(Júlio B.)
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