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Quase Extintos Os Pinheiros-Do-Paraná

Sonhávamos distraídos pelas ruas úmidas da cidade.
Andávamos à vontade no sereno, no vento, sem medo,
em caminhos diversos, em pensamentos dispersos.
O frio fazia sentir os ossos, mas não importava,
bastávamo-nos como companhias e não era preciso mais nada.
Tomávamos café nos quartos, nas salas, nos bares
aquecíamo-nos com entusiasmos e palavras.
Víamos bons ares soprando no horizonte, ou só imaginávamos.
A grana apertava às vezes, mas a gente se virava.
Alguém contava uma piada
ou tocava uma música no primeiro violão ao lado,
Beatles como em 1969.
Deslocados no tempo, fora de moda, perdidos nas horas,
encontrávamo-nos em nós mesmos,
nas ideias, nos conceitos, nos desejos, nas cabeças.
Éramos positivos, mesmo quando não conseguíamos ser felizes.
Construíamos algo juntos, mesmo não sendo o futuro,
sabíamos o tempo todo que isso iria se extinguir.
Vivíamos os dias simples, sorríamos as alegrias puras,
a despeito dos incontáveis problemas de nossas vidas modernas.
Escrevíamos teorias e amores em versos desconexos,
fazíamos de nossos sonhos um sentido.
Passeávamos à tarde sem destino,
apoiávamo-nos por instinto,
os últimos corações carentes de uma geração que já passou.


(Júlio B.)
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