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Uma Ode Para Mim Mesmo

Desafie minha mente e me conquiste!
Permita que eu me sinta tão livre quanto eu precise.
Não oculte aos olhos o que o instinto pode sentir
e nem defina regras sem saber pelo que eu passo.
Não defina cores, sabores, idades, cidades,
e assim não me mate.
Obrigado.

Até que tenho a cabeça no lugar (quando preciso),
mas isso não me impede de fazer minhas maluquices...
Tenho tantas personalidades quanto eu queira
ou precise pra aliviar a minha barra (e eu preciso muito).
Tenho criatividade de sobra pra sobreviver à essa selva de espinhos.
E tenho um coração carente, sonhador.

Há tanta vida lá fora (no mundo)!
Há tanta beleza, tantos aromas, tanta gente,
e eu aqui, sozinho, triste e cansado, proibido,
deixando passar em branco momentos irrecuperáveis...
Mas nem sempre será assim, eu tenho certeza.

Vou continuar tentando, onde quer que eu esteja,
vou continuar tentando ser feliz, do meu jeito, no meu ritmo,
na minha rotina aparente, nas minhas escapadas ousadas...
Com as minhas lamúrias infinitas.

Um dia ainda encontrarei uma garrafa náufraga,
e um mapa, e um x, e um caminho, e uma arca,
o tesouro encantado desse mundo sem sentido,
onde encontrarei jovens pérolas trazendo a felicidade sobre elas,
e sorrisos tão fartos que me entorpecerão.

Mas por enquanto estou aqui, à deriva, em alto-mar.
Assistindo calado à novela da minha solidão,
vendo meu lento e progressivo desfalecimento,
o massacre contínuo dos meus bons sentimentos.
Mas enxugo as lágrimas e sigo remando.
Não sei pra onde estou indo, mas vejo um mar aberto pra mim,
apesar de todos os riscos,
conto com meus esforços quase sobre-humanos.

Eu estou aqui torrando nesse sol de intolerância,
queimado por uma chama eterna de angústia e amargura,
por isso nem sempre eu sou amável,
mas eu tento!
Eu tento...

Então, desafie meu desejo e me conquiste!
E permita que floresça um jardim esplêndido em nosso solo,
e não deixe morrer em você a confiança em mim,
por favor.
Eu preciso de apoio pra driblar a minha sorte.

O mundo é tão perverso, mas o mundo é tão diverso!
Uma novidade a cada esquina, uma nova chance a cada passo,
uma nova expectativa a cada horizonte.
Fecho os olhos e sinto a brisa fria em meu corpo nu,
sinto o frescor do novo penetrar meu corpo e minha mente,
sei que estou vivo, e sei que sou capaz de muito mais.
Mas quando abro os olhos, eu ainda estou sozinho.
E estou ficando mais velho, mais triste, mais duro.
O tempo é implacável, não pondera nada disso.

Gostaria de poder dizer que sou feliz.
Gostaria, mas não posso.
Ainda estou aprendendo a viver entre espinhos
enquanto meus pés sangram pelo caminho.
Estou aprendendo a me equilibrar entre estilhaços
enquanto velhas feridas cicatrizam
e meu sangue verte pelas novas.

Sigo remando, porque é só o que me resta.
Já dei todos os sinais de socorro e até agora nada.
Espero uma tacada impossível pra me salvar,
mas o impossível será possível em algum momento nesse mar.
E isso redimirá tamanha provação!

Eu me desafiei e me conquistei!
Tenho aprendido a conviver comigo.
E me agradeço desde sempre por me respeitar como sou.
Por nunca ter tentado me mudar pra me encaixar...
E acredito mesmo que vou sair dessa.

Esboço minhas esperanças com os restos dos meus sonhos demolidos
e protejo a bonança que a dura realidade ataca a cada dia.


(Júlio B.)
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