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Bem No Meio Do Ano

Metade de mim quis que fosse mais romântico.
Com flores, sininhos e cânticos,
festa, bolo, brigadeiro e balões.
E a lua bem cheia na janela ao longe.

A outra metade quis apenas que fosse em tempo,
a despeito do modo, a urgência ardia em cada poro.
Acendia o corpo todo num desejo seminal.
E foi assim que dei o pontapé inicial!

Na exata metade dessa grandeza orbital chamada ano.
Se não me engano, julho me divide de modo natural.
A saudade do que ficou vai comigo até o final.
Mas agora é pra frente, e não tem volta.

Eu precisava escapar, e me arriscar,
mais uma tentativa de encontrar o meu lugar,
meu canto, meu lar, ou como você queira chamar.
É que do jeito que estava não dava mais pra continuar.

Eu precisava começar a cultivar
o meu mundinho até então de baobás,
e os desejos seminais a me matar.
E a vontade que me deu agora de cantar:

"Olha aqui, olha acolá,
olha o mundo como está!
Eu tentando me salvar,
os velhos a disfarçar,
os meninos a gritar:
olha lá, o viadinho quer dar!"


(Júlio B.)
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