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Ah, John, Como Eu Gostaria Que O Meu Sonho Não Acabasse!

Eu tive um sonho...
Que agora escapa como vento por meus dedos relaxados
e escoa como saudade antecipada
pelo ralo obtuso de minha mente indecisa.

Os pensamentos bipolares se vendem como nas esquinas da vida,
com a decadente maquiagem de prudência bem-pensada,
mas no fundo é só luxúria disfarçada.

Meu instinto alienado me trai sem mais remorsos prolongados,
de modo sorrateiro e sempre às vistas, escancarado.
Sutil dilema interno consentido, e sem culpados.
O que me trai é o que me atrai, e foi sempre assim,
as circunstâncias contra mim, me vencendo no fim
pelo cansaço.

Eu construí um mundo próprio empolgado...
Que está agora prestes a ser demolido num estalo.
Tenho decaído passivamente diante de mim mesmo, do que desejo.
Aceitando qualquer solução instantânea por puro desespero,
por medo de nunca ser real nem a parte menos poética dos meus sonhos.
É, eu tive um sonho.

Sonhei ir tão além...
E agora admito como plausível um retrocesso.
Ah, John!
Dá pra acreditar numa coisa dessas?


(Júlio B.)
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