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Desejos E Mudanças Na Fronteira Entre Sensatez e Sinceridade

Meus sorrisos sempre foram levemente diferentes,
malícia imprudente bem disfarçada entre os dentes,
que sempre chamaram alegria quando era empolgação.
O que chamei de paixão era autodefesa, precaução.

De fato, quase uma arma, um sorriso que desarma,
que esconde o medo, faz da insegurança um charme.
Guarda bem o meu segredo sem dar nenhum alarme,
ignora a consciência que vive a recriminar-me.

Estou suficientemente acostumado ao meu jeito
e abono completamente o meu capricho imperfeito.
Às vezes, tenho saudades do que deixei de ser,
mas isso é um pouco mentira, como você deve saber.

Estou tentando ser sincero pelo menos nesse poema,
mas as limitações do quero serão sempre um problema.
Não preciso a fronteira entre sensatez e sinceridade,
ela se esquiva sorrateira à qualquer previsibilidade.

E é exatamente desse modo que eu tento me esquivar.
Mudo o tempo todo, inclusive me permitindo não mudar.
No fim, tudo se interliga em redes de acontecimentos,
infinitas e caóticas, então me firmo em meus intentos.

Meu desejo é sempre de tocar e mudar o que me atrai,
mesmo sabendo que a gravidade vence e que tudo cai.
Mas é justamente lutando contra a inevitabilidade
que tenho encontrado a minha realização de verdade.

E assim eu sigo vivendo através das oportunidades,
eu gosto disso, do risco, de vencer as dificuldades,
das ideias arquitetadas, do susto e gozo inesperado,
continuo tentando ser feliz, como qualquer coitado.

Se fui muito confuso, peço um pouco de indulgência.
Talvez fosse essa exatamente a intenção, paciência.
Mais confusa tem sido a minha vida, e meu coração,
e pra ser realmente honesto, eu até gosto, então...


(Júlio B.)
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