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Surpresa!

Que surpresa!
Eu já não acreditava,
já nem me empenhava com muito rigor,
já estava acostumado a essa dor
e apegado ao sabor dos meus lamentos sem cor...
Mas o vento depois da chuva trouxe um novo pensamento
que encaixou como uma luva no silêncio do indizível,
o imprevisível mostrou-se como a surpresa mais bela,
abriu-me uma janela pela qual vi um horizonte possível,
mesmo que só numa piscadela.

Eu já nem contava com essa hipótese de felicidade,
na verdade, já havia me conformado
às concessões das circunstâncias.
Mas agora vejo uma brecha à distância,
certamente mais árdua e mais cheia de inconstância
do que o caminho que para os outros é tão fácil,
mas ainda assim é uma chance!

Estou muito surpreso, embora um tanto ressabiado,
tiro algum peso das costas, mas o fardo ainda é pesado.
Mas não estou reclamando, não, estou é encantado.
A complexidade edificada diante de mim
como muralha de impossibilidade, ela ruiu
e me permitiu ver uma novidade no horizonte.
Não preciso saber onde isso vai dar,
poder tentar já enche novamente os pulmões de ar.


(Júlio B.)
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