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Súbito Arrepio

E era como se eu quisesse dizer alguma coisa bonita
por não estar sentindo agora aquela angústia maldita.
O que sinto é uma leve paz agradável que me contagia
e que, exatamente como a aflição, me induz à poesia.

O vento frio da madrugada sopra em minhas costas nuas,
fazendo dançar as cortinas e trazendo o aroma das ruas.
Meus pés descalços deslizam na lisura gélida do chão
e eu realmente me sinto bem com esta nova excitação.

Minhas mãos táteis desenham um balé de dedos no ar,
pressionando teclas, clicando em ratos, a me inspirar,
boa possibilidade através da dela de um computador.

Meus sorrisos outrora amarelos se enchem de rubor
quando sentem os devaneios trazidos pelo vento frio
e, num estalido, os pelos se ouriçam em súbito arrepio.


(Júlio B.)
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