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A Morte De Um Balão

Eu chamava de inocência.
Às vezes, até mesmo de utopia.
Há quem chame de decência,
mas acho isso moral vazia.

Ano após ano, fui inflando
meu ceticismo com desilusões
e, de repente, estava duvidando
da maior de minhas convicções.

Então, eu não era mais eu.
Não mais puro, nem sonhador:
a essência inteira se perdeu
quando eu duvidei do amor.

Antes, faria tudo pra tê-lo,
meu coração era um balão
absolutamente sem zelo,
inflado de esperança e ilusão.

Antes, daria tudo por ele,
até a última gota de sangue.
Enfrentaria até o John Wayne
num duelo de bangue-bangue.

Até que um dia os espinhos
de uma vida tão dura e severa
me estouraram em pedacinhos.
Aí, não soube mais quem eu era.

Incerteza em cada músculo
e duvidei mesmo do amor.
Um estouro maiúsculo.
Um último suspiro de dor.


(Júlio B.)
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