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Felicidade

Hoje eu vi uma coisa doída,
que expôs minha maior ferida,
que de certo mudou minha vida.

Hoje eu me vi no futuro
metendo-me em grande apuro,
por causa do meu desejo tão duro.

Sofri por me ver assim,
despertou uma tormenta em mim,
uma tormenta de coisa ruim.

É que não havia lá alegria
e tudo o que eu mais queria
era acordar daquela epifania.

Só o que valeu a pena
foi a sensibilidade em cena,
a coragem com os leões na arena.

É duro ver sua excentricidade
esquartejada na praça da cidade,
apedrejada sem a menor piedade.

A maldade não era pra tanto,
mas também nunca fui santo,
nem fiquei quieto no meu canto.

Mas o que fazer então,
se cada desejo meu é em vão
ou então me leva à perdição?

Quando até mesmo o beijo,
que é o que eu mais desejo,
é um horizonte que não vejo?

Quando até eu mesmo admito
que é pecado o mais bonito
dos desejos que eu omito,

então, não há outro nome!
Toda a minha alegria some
e uma só palavra me consome:

felicidade! Como seria...?
Se eu a sentisse algum dia?
Se ela não fosse tão arredia?

Existiria um pensamento maior?
A esperança de um dia melhor?
É que tudo está cada vez pior...

Os anos passam num susto,
meus desejos têm alto custo
que também eu não acho justo.

Acho que se trata disso no fim.
Mas o que fazer já que é assim,
que a justiça é contra mim?

Se a consciência racional
é contra o instinto animal?
É, as coisas estão indo mal...

Suícidio nem seria uma saída.
Não de onde eu vi minha vida,
onde pouca coisa é permitida.

O que desejei foi viver,
a despeito de dor ou prazer,
eu quis ouvir o coração bater.

Espero que haja esperança.
Sou livre pra ter confiança
em liberdade, e na mudança.

E sou inteligente o suficiente
pra reconhecer de forma prudente
que eu preciso de ajuda urgente.


(Júlio B.)
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