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Ao Alcance

Acordo excitado por um estímulo quase único
e então percebo, trêmulo, que foi tudo onírico.
Foi fantástico como nas películas, tão não realístico.
Sádicas versões díspares de um mesmo desejo lívido.

Sonho com árvores de desejos que não têm mácula,
o cúmulo de qualquer êxito que me deixaria íntegro,
a presença mais harmônica dos meus círculos ásperos.
Parece por último ao alcance e, assim, seria o meu ápice.

Acasos são ótimos, mas céticos demais pros meus hábitos.
Os dias seguem lânguidos, a solidão segue comigo tépida.
O passeio é público, a cidade é tão fria, o gosto é rígido,
o coração é crédulo, o álamo é belo, o esforço é máximo.

Meus olhares são quase ilícitos e eu não tenho álibi.
O ícone dele é falso, mas eu o trago em meu cérebro.
As proparoxítonas induzem à coincidência cósmica...
O que, por mérito intrínseco, justifica então o símbolo.


(Júlio B.)
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