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Então Éramos Grandes

E éramos só nós ao fim do espetáculo.
Éramos possibilidades por completo lícitas.
Estávamos sem nossos escudos de cunho estético.
Éramos as nossas intenções de um modo implícito.
Estabelecemos vínculo em um acordo tácito.
Era exposição onde havia sido sempre símbolos.
Estávamos tímidos e ainda assim simpáticos.
E eu me escorava em desculpas diuréticas.
Era você o abalo do desejo em mim outrora estático.
Era em mim a contenção sensata do que era ímpeto.
Eu estava em um dia ao extremo analítico.
É que eu sempre fui um pouco matemático.
E veja que isso não quer dizer que eu tenha sido lógico.
Éramos sensíveis, e eu me mantive lúcido.
Éramos românticos, mesmo que exóticos.
Era você de alvo brilho cósmico em sua música.
Escrevo-te em abuso de proparoxítonas.
Envolvo-te em um manto de palavras dignas de um príncipe.
Éramos astros na aurora e no crepúsculo.
E era silêncio o que nos veio por último.
Éramos muito pouco diálogo do tipo prático.
Éramos ditos por aqueles detalhes clássicos.
Éramos desvendados em olhares mágicos.
Éramos enfim sorrisos vívidos.
Éramos distorções em gestos plásticos.
Estávamos na iminência do desejar cinético.
Éramos corpos à beira do colapso físico.
Éramos gigantes em órbitas coincidentemente síncronas.


(Júlio B.)
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