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Amor Pela Primeira Vez

Agora eu sei: é amor!
Também sei que de um só lado,
mas não me sinto infortunado
quando me aquece esse calor.

É alegria e é dor.
Ao mesmo tempo meu e proibido,
tácito e não-correspondido,
inocente e encantador.

Eu queria me expor,
mas hesito no último segundo.
Não espero justiça do mundo,
sou calejado nesse setor.

Mas também não vou me opor
à minha empolgação juvenil.
É platônico, mas gentil,
e isso tem o seu valor.

É espinho e é flor.
É a beleza ao alcance da mão,
é, em seguida, a interdição,
é cruelmente tentador.

É ser capaz de ver a cor,
sentir de longe o cheiro,
fantasiar o mundo inteiro,
mas não sentir de fato o sabor.

Às vezes cedo ao pavor
de pensar que nunca será real...
Em dias assim, eu fico mal,
mas já era de se supor.

Outras, sou tomado de um furor.
E esbravejo, e choro, e berro,
é que também não sou de ferro
pra aguentar tanto ardor.

De noite, em meu clamor,
sozinho no quarto, sou lástimas.
Do coração brotam as lágrimas
quando penso em você, meu amor.

Então admito sem pudor:
o desejo era ter você ao meu lado,
mesmo enfrentando o modo antiquado
dessa cidade do interior.

Aqui, há tanto rigor!
É tudo cercado, tão reto, tão duro.
Eu já reconheço bem o muro,
mas não consigo transpor.

O horizonte é sedutor
e somos tão jovens ainda.
Coragem seria muito bem-vinda,
mas o risco é assustador.

Nos lábios, o frescor.
Há tanto que eu queria dizer,
mas acho que você não ia entender.
É que envolve um outro fator...

Perdoe-me, por favor.
No fim, eu sei que é covardia,
mas quem algum dia não seria?
Sempre fui um sonhador.

Afirmo com todo vigor,
o que sinto não é efêremo,
o amor que não diz o gênero,
o meu primeiro amor.


(Júlio B.)
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