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E Cedo Demais

Enquanto a superfície enfeitada se mostra tola,
eu escondo o núcleo do que sinto em um sóbrio recanto subcutâneo.
Enquanto os que não choram sorriem por hábito,
eu me calo na dor cotidiana de estar sozinho.

E brigo com minha pretensão.
E brigo com minha modéstia.
E percebo o quão triste sou toda vez olho em volta e não vejo mais ninguém.
Eis o velho confronto entre hormônios e sinapses.

E não durmo bem à noite.
E não me sinto à vontade em lugar algum.
Enquanto todos ainda estão chegando,
eu já estou de saída.

Espero o quanto posso,
enfrento quantos leões consigo de uma só vez,
exponho apenas o necessário para não ir rápido demais,
e nem assim consigo me prolongar.

Eu estou cansado.
Essa busca por um sentimento que valha a pena me desgasta ao extremo.
Enquanto tento, tento, tento, dentro de mim, sei que preciso de um tempo.
E é sempre cedo demais.


(Júlio B.)
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