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O Regresso Ao Sangue

Agora eu procuro sempre
ter erguido o duro mastro
no qual estendi a esperança
que criei sem nenhum lastro.
E o meu tão suado sangue
esperou tanto por um astro
que se perdeu na sua espera
e encontra agora só o rastro.

Ontem eu sonhava tanto,
agora escondo o que sinto.
Ontem queria liberdade,
agora veja o quanto minto!
Hoje o meu chorado sangue
mais parece vinho tinto
e o que ontem era sonho,
hoje amanheceu extinto.

Nunca tive muita sorte...
Tem aí um pé de coelho?
Nunca tive muitas chances,
só me deram foi conselho.
E quando eu quis ver o mundo,
esqueci de olhar no espelho.
Fui atrás de sangue novo,
sem ver o rastro vermelho

que verte dessa vontade
tão febril que não me curo,
que me torna assim errado,
que me mancha o sangue puro.
Decidi mudar de lado,
decidi sair do escuro.
Resolvi olhar pra trás,
dei de cara com o futuro.


(Júlio B.)
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