O início atropelou o meio, e o fim sempre esteve lá.

 
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Estória de Boy In A Bowl
 

Boy In A Bowl nasceu dentro de um ônibus lotado, num dia quente, passando sobre um viaduto. Nasceu como uma idéia irreversível.

O ônibus era uma dessas latas velhas metropolitanas. Ainda assim o momento era romântico: a janela era um horizonte ambulante de possibilidades. O cinza enferrujado dos prédios e os lixos revirados já nem incomodavam. Talvez o céu fosse azul, o sol fosse de verão, mas Boy In A Bowl nem reparou. Seus olhos fixavam pontos que não existiam. O imaginário sempre lhe chamou mais a atenção.

Boy In A Bowl fantasiou tanto da vida, que se perdeu em sua solidão. A tigela sempre foi grande demais para ele apenas e seus sonhos. Ele desejou estar acompanhado desde o início.

Enquanto voa pelo espaço sideral em sua nave-tigela, em sua busca cósmica por um sentimento, ele observa outras solidões, vácuos, estrelas, esperanças, tudo o que já conhece bem. Então, pensa que novidade é um privilégio muito raro. As galáxias, as cidades grandes, as pequenas, todos os lugares parecem não lhe caber direito, parecem não ser para ele.

De vez em quando, Boy In A Bowl se cansa de ficar de pé para observar o mundo pela borda. Sentado, com a cabeça entre as mãos, canta suas canções prediletas, imaginando o dia em que conseguirá compor tão bem, ou que viverá tais sentimentos. Às vezes, ele chora. Com as mãos entre os cabelos cortados como se por molde de uma tigela, ele ainda acredita em si.

Boy In A Bowl ficou muito entusiasmado no dia em que descobriu que o nome de boa parte das suas bandas preferidas começava com a letra B. Bom sinal.

Boy In A Bowl acredita que tudo o que você precisa é amor, pois é fã do John Lennon. Mesmo que não fosse, ainda acreditaria. Solitário, seu maior desejo é conhecer esse sentimento tão famoso nas canções, nos poemas, nos livros, nos corações...



Boy In A Bowl, 20/05/2012